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Psicóloga clínica que realizou por 10 anos atuação na Saúde mental da PBH e atualmente dedica aos atendimentos particulares. Participa de artigos nas Revistas Vox objetiva e Tendência Inclusiva. Realiza palestras e entrevistas na mídia impressa e televisiva.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Psicopatias



PSICOPATIAS

RESPONDENTE: Maria Angélica Falci 
Psicóloga Clínica/ Saúde Mental

Falar deste assunto é algo que precisa ser detalhado com muita cautela, pois se trata de um dos diagnósticos mais difíceis de serem fechados, envolve muitas nuances circunstanciais.
Leio muito o trabalho do Psicólogo Canadense Dr. Robert Hare e com base em seus estudos vou relatar de forma objetiva partes importantes.

Foi este profissional que descobriu em 1991 critérios que hoje são universalmente aceitos para diagnosticar portadores desse transtorno de personalidade. Começou seus trabalhos na faculdade ao trabalhar muitos anos diretamente com detentos criminais. Segundo ele, as pessoas não nascem psicopatas, não é uma categoria descritiva como ser homem ou mulher e sim uma medida que varia para mais ou para menos. As pessoas nascem com tendências para a psicopatia e que podem ser percebidas desde a fase primária. Não tem como dizer que uma criança se tornará um adulto psicopata. Mas, se ele age de modo cruel constantemente com crianças menores e animais, mente olhando nos olhos, não expressa remorso e dissimula sentimentos de forma teatral, poderá sim ser um comportamento problemático no futuro.
Como características principais da psicopatia, são consideradas: ausência plena de sentimentos morais, tais como o remorso ou a gratidão, grande facilidade em mentir e convencer as pessoas, objetivos/frios, anancásticos, superficiais e etc. Não podemos generalizar que todos os psicopatas irão cometer maldades de nível máximo. Em geral, apresentam sim, comportamentos que podem ser classificados como perversos e níveis mediante a classificação desenvolvida pelo Dr. Hare, mas a maioria dos psicopatas tem a finalidade apenas de tornar tudo mais fácil ao seu redor e não importa a eles quaisquer riscos, prejuízos, tristezas que causem a terceiros.
Posteriormente aos estudos do grande estudioso comportamental B.Watson, veio à tona o termo Sociopata, termo este criado para sugerir que o indivíduo era fruto do meio ambiente em que viviam, suas condições psicológicas, sociais, físicas e outras seriam reflexos da educação recebida, da proximidade dos pais, facilidade para ter amigos, boa nutrição e etc. O termo persiste e define um nível dentro da psicopatia, onde o sujeito possui uma ambição mais forte, intuitos de prejuízos sociais mais complexos, ou seja, poderá provocar danos morais e sociais de espectro ampliado, enquanto psicopatas tendem a ter alvos mais isolados, descartam riscos e partem para o alvo a fim de atingir seus objetivos pessoais.
Podemos dizer que todo sociopata é um psicopata, mas nem todo psicopata é um sociopata.
Geralmente, são pessoas “normais”, mas ao conhecer melhor esta pessoa, aparecem facilmente diversas disfunções que apresentam a condição problemática da pessoa, tais como: frieza com os filhos, mentiras sistemáticas, grande facilidade de manipulação. Quando é flagrado fazendo algo errado, continua tentando convencer as pessoas que foi um mal entendido.

Em geral seu sentimento tem haver com posse, sentimentos de propriedade, por exemplo: “eles amam o carro da mesma forma como amo meu marido”. Utilizam o termo amor, mas no íntimo não conseguem sentir da maneira como nós entendemos /expressamos. Suas respostas são concretas em excesso, objetivas, diretas, do tipo: “Amo ela porque é bonita, porque o sexo é bom, porque ela me ajuda”...

“As emoções estão para o psicopata assim como o vermelho está para daltônico. Eles não conseguem vivenciá-las” Robert Hare.

Por isto tratar um psicopata no modelo tradicional da terapia comportamental / cognitiva, não alcançará nenhuma resposta. Por exemplo, fazer com que um detento psicopata mude a sua forma de sentir, de ver uma situação ocorrida com outra visão, de se colocar no lugar do outro, expressar raiva, compaixão e etc. Será tudo em vão, pois eles não sentiram dor no ato e sim prazer. Este tipo de conduta não deve ser utilizado com eles, pois não conseguem ver nada de errado em seu próprio comportamento.

Podemos dizer que existem muitas divergências com relação às penas executadas a estas pessoas. Segundo o Dr. Hare, eles são responsáveis por seus atos, mas ainda existem muitas investigações a respeito. Uma corrente afirma que eles não entendem as conseqüências dos seus atos e o argumento é que quando tomamos uma decisão, fazemos ponderações intelectuais e emocionais e o psicopata faz apenas a parte intelectual/racional, não faz a emocional, não consegue sentir as emoções morais. Agora tem outra corrente que diz da perspectiva jurídica que ele entende e sabe o que a sociedade considera errado e mesmo assim decide simplesmente fazer, e desta forma fez uma escolha e deve sim ser responsabilizado pelos crimes e danos cometidos. Ainda são pontos de intensas discussões e sem um caminho único.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012





11 DICAS para atingir as metas em 2013

Mais um ano está chegando ao fim e em poucos dias 2013 virá. Nesse período, é comum homens e mulheres fazerem promessas, planejarem atividades, estipularem metas e objetivos. No entanto, os dias passam e algumas vezes todo o roteiro criado não é cumprido ou os resultados são atingidos pela metade.
Para que isso não acontece, existem algumas fomas de se planejar o novo ano de forma positiva. Confira as 11 dicas seguintes: 

1- Tenha auto responsabilidade - Antes de tudo, é necessário parar de responsabilizar o mundo (seu chefe, a empresa, a falta de dinheiro) pela não realização do objetivo assumido, frustração ou insucesso. Quando a responsabilidade é assumida você toma o seu poder de transformar e planejar uma melhor estratégia com mais confiança. 

2- Formule seu objetivo no positivo - Não diga “Não quero mais sofrer por amor”, por exemplo e sim “Quero ser feliz ou quero encontrar um grande amor”. Diga o que quer e não o que não quer. De modo geral as pessoas só sabem ou só falam do que não querem. Pensamentos, falas e ações criam realidade, portanto se você estiver pensando e falando sobre o que não quer é isso que você estará criando. 

3- Sustente seu objetivo - Trace objetivos que vão depender de você para a realização. “Quero que meu namorado me ame”, por exemplo, não seria sustentado por você e sim por ele. Só formule objetivos sobre os quais é possível agir. O objetivo não é “quero que meu chefe me dê aumento”, mas sim, “farei o que for necessário para obter uma promoção”. 

4- Pense Positivo sempre - Às vezes os medos nos invadem, eles são frutos de experiências dolorosas do passado que estamos revivendo a cada dia como se fossem se repetir. Deixe-os no seu tempo, mas reconheça-os, admita-os, avalie-os e faça aprendizados positivos dessas experiências para viver o agora plenamente. 
Sempre foque em coisas boas, jamais na tragédia, na dor, no desânimo, na preguiça. Quem foca em coisas ruins, atrai o mesmo para a própria vida. Pensamentos, sentimentos, falas e ações precisam estar alinhados para que as coisas fluam, e você realize. Felicidade constrói felicidade, portanto esteja feliz desde já, como se já estivesse realizado o que você quer. 

5- Sonhe - Nunca deixe de sonhar, tudo começa com um bom sonho, sonhe ilimitadamente. Depois traga os sonhos para a realidade e verifique o que você pode fazer para alcançá-lo. Planeje e vá para a ação, realize e comemore. 

6- Contemple todas as áreas da sua VIDA - Quando focamos excessivamente em uma área, tiramos energia de outra e causamos desarmonia ao todo. Portanto, tenha equilíbrio e estabeleça objetivos para a área familiar, afetiva, profissional, financeira, social e o que mais achar conveniente. Assim seu crescimento será integral, o que trará fluidez para sua vida. 

7- Avalie o contexto geral - Pergunte-se: É isso o que eu quero? A realização do meu objetivo afetará negativamente alguém, algo ou algum contexto da minha vida? Avalie antecipadamente o impacto do que você quer e só depois decida o que fazer. Caso haja conflito interno, avalie e busque uma negociação consigo mesmo e, se ainda assim o desconforto persistir, reformule seu objetivo para evitar a auto-sabotagem. 

8- Faça uma lista - Escreva e faça um painel representativo com frases e figuras de todos os seus sonhos e objetivos. Você também pode criar quadros mentais das suas realizações e se conectar a eles a qualquer momento. Fale bastante sobre os sonhos, pois os mesmos precisam ser alimentados para se concretizarem. Essas atitudes abrem caminhos neurais que auxiliam na conquista dos objetivos, tornando-os mais palpáveis. 


9- Use todos os sentidos para Realizar - Imagine-se na situação já realizada, vendo, ouvindo e sentindo tudo o que acontecerá no momento da sua concretização. Viva isso como se já tivesse chegado lá. Para conquistar os seus objetivos, seus sentidos precisam experimentar a situação desejada para ter a referência de onde você quer chegar.

10- Ouça seus Sentimentos - Busque sempre ouvir o seu próprio “eu”. Quando você tem convicção do que quer e sabe que isto realmente é bom, os comentários divergentes não abalarão a sua caminhada na direção de seu objetivo. 

11- Comemore a Realização - A alegria e a gratidão são emoções que validam profundamente o esforço da trajetória e nos motivam para novas e maiores realizações. Celebre e lembre-se: você tem o poder da permissão  em sua vida. Seja livre, seja você e crie sua própria realidade. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dicas para Lidar com Crianças Desafiadoras



                             Dicas:
-    FALE DE PERTO COM A CRIANÇA, OLHE FIRME EM SEUS OLHOS E MANTENHA UM TOM ADEQUADO.
     
EVITE:

·       Ordens à distância;
·       Ordens complexas e acompanhadas de muitas explicações;
·       Ordens em excesso, repetidas e com gritos.

-    REGRAS DEVEM SER SIMPLES E AS ORDENS CLARAS.
-    PEÇA À CRIANÇA PARA REPETIR AS ORDENS;
-    NUNCA ORDENE EM FORMA DE PERGUNTA;
-    NÃO DÊ ESPAÇO PARA UMA NEGATIVA;
-    NÃO CONVERSE NA HORA DA RAIVA, DA IRRITAÇÃO;
·       EVITE TOM DE AMEAÇA.

-    ELOGIO E RECOMPENSA SÃO SEMPRE MAIS ADEQUADOS QUE A PUNIÇÃO PARA MODIFICAR COMPORTAMENTOS, MAS ISTO DEVE SER PLANEJADO COM ORIENTAÇÃO DE UM PROFISSIONAL CAPACITADO.

-    AS RECOMPENSAS NÃO PRECISAM SER MATERIAIS, EXIGINDO GASTOS;
-    NÃO TENHA MEDO DE DIZER NÃO;
-    TOLERE A FRUSTRAÇÃO DE SEU FILHO;
-    REFORCE PEQUENOS AVANÇOS DE COMPORTAMENTOS ADEQUADOS;
-    CONCEDA A SEU FILHO O DIREITO DE COMETER ERROS;
-    CONCEDA A SI MESMO O DIREITO DE ERRAR E NUNCA DESISTA.

·       Jamais devem retardar ou desistir de uma ordem uma vez proferida.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012



As Crianças Crescem...mas a raiz permanece...Invista no Amor e nos Limites adequados para que sua Criança seja um Adulto bem resolvido, estável e que AME a VIDA com muito prazer!!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


O que é Borderline?

Síndrome de Borderline ou Transtorno de Personalidade Limítrofe é uma expressão utilizada há mais de um século pelos pesquisadores do campo mental, que dela se valem para apontar uma modificação no limite entre a neurose e a psicose ou, como diriam alguns, na linha de demarcação entre a razão e a loucura. A pessoa atingida por esta síndrome apresenta um sério distúrbio psíquico, principalmente na esfera afetiva, no domínio dos impulsos, nas interações com o outro, na sua auto-imagem.

O diagnóstico desta perturbação mental é facilitado pelo próprio transtorno causado pelos sintomas no entorno do paciente, principalmente por atingir os familiares. Normalmente o indivíduo não ultrapassa os limites da normalidade, portanto é raro que ele seja enquadrado em um dos estados emocionais próximos do borderline, tais como a esquizofrenia, a depressão ou o transtorno bipolar.

Esta enfermidade psíquica não é ainda muito conhecida, embora afete indiscriminadamente integrantes das mais diversas classes sociais, pessoas célebres ou anônimas, particularmente as mulheres. Atualmente, o exemplo mais famoso de personalidade borderline é o da cantora Amy Winehouse, que revela em seu quadro dimensões radicais desta Síndrome, especialmente traços de autodestruição – os quais englobam a automutilação, com cortes perpetrados em várias partes do corpo, com a intenção de amenizar as dores emocionais, ameaças e até tentativas de suicídio, consumo de drogas, intensos arrebatamentos verbais, ataques de agressividade, ilusões e alucinações passageiras, impulsividade desenfreada, sem falar nas constantes alterações de humor, apresentando-se a artista às vezes agitada, em outros momentos totalmente passiva.

Outras emoções despertadas pelo estado borderline incluem tristeza, raiva, vergonha, sentimento de pânico, horror, sensação de vazio e de extrema solidão. A capacidade de obter conhecimento também se encontra comprometida, levando o indivíduo a interpretações diversas sobre o outro, em um instante avaliando-o como um ser bom, logo depois o julgando como uma má pessoa. Além disso, há casos de perda da personalidade e do contato com a realidade. Entre tantos sintomas diversos, o DSMV fixou nove pontos essenciais para que se avalie o distúrbio como Síndrome de Borderline.

A expressão borderline foi utilizada primeiramente em 1884, pelo psiquiatra inglês Hughes, que assim se referia às ocorrências de loucura. Passou-se a usar este termo para diagnosticar sinais muito sérios de neurose. O pesquisador Bleuler julgava os esquizofrênicos como portadores de borderline. Enfim, em 1938, a palavra borderline é oficializada por Stern, que a adota para descrever uma modalidade de ‘hemorragia mental’, a qual ocorre quando se deflagra uma intolerância às frustrações.


 As pessoas se sentem, então, ressentidas, ultrajadas e emocionalmente atingidas. Grinker, em 1967, realiza pela primeira vez a descrição desta perturbação mental.
Estes pacientes têm intensa dificuldade de se relacionar. Fatores genéticos, abusos sexuais, exposição traumática á violência, são algumas das causas apontadas para a eclosão deste distúrbio, pois provocariam desequilíbrio emocional e comportamentos impulsivos. 


O reflexo deste problema na vivência social é muito sério, pois há uma grande dificuldade de se relacionar com os portadores desta Síndrome, embora seja necessário amparar e socorrer estas pessoas, principalmente porque o número de suicídios é muito alto, afetando pelo menos 10% dos pacientes.

Tem-se conquistado resultados positivos no tratamento desta perturbação ao se recorrer à psicoterapia, principalmente a cognitiva comportamental. Mas é preciso ser persistente no processo terapêutico, pois esta enfermidade engloba sérios distúrbios de personalidade, os quais deixam o ego vulnerável e passível de diversas quedas, de retorno a um estado de instabilidade.


Texto copiado do site: http://www.infoescola.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


"Ser psicólogo é uma imensa responsabilidade.
Não apenas isso, é também uma notável dádiva.
Desenvolvemos o dom de usar a palavra, o olhar, 
as nossas expressões, e até mesmo o silêncio. 
O dom de tirar lá de dentro o melhor que temos
para cuidar, fortalecer, compreender, aliviar..."
 Walmir Monteiro

terça-feira, 26 de junho de 2012


Hora de responder

por André Martins
Ao contrário do que recomendam os ensinamentos cristãos e o discurso contra (Foto: Stock.xchng)
Conta a Bíblia que, depois de ser traído por 30 moedas de prata, Jesus se aproximou de Judas, seu delator, beijou-lhe a face e o chamou de "amigo". O trecho, pormenorizado no livro de Mateus, denota, sobretudo, benevolência - um dos tantos atributos de Cristo. No lugar do Messias, entretanto, poucos teriam lançado olhar compassivo diante de uma traição.
Há quase 2 mil anos vigorava a conhecida Lei de Talião, o "olho por olho, dente por dente". Os ensinamentos cristãos não correspondiam às regras sociais da antiguidade. Eles significavam uma irrupção. Jesus era pela temperança, mansidão, compassividade e pelo perdão. Por diversas vezes, ele sugeriu que, uma vez agredido, o melhor a fazer era oferecer a outra face. "Os humilhados serão exaltados", dizia em pregações.
O pensamento cristão ganhou espaço e se emaranhou com a ética humana, tornando-se uma espécie de regra social. O poder instituído se consolidou. Para não viver em uma terra sem leis, onde tudo fosse resolvido a fio de espada, o homem passou a abrir mão da honra e do direito de fazer justiça por ele mesmo. Era assim ao menos em tese. Afinal, nem sempre é isso que se vê, principalmente em países com altos índices de violência, como o Brasil. Quem arbitra e estabelece reparações entre partes discordantes é o Poder Judiciário, que funciona melhor em alguns países que em outros.
Reprimir a agressividade, não revidar uma violência, procurar o caminho da introspecção e do autocontrole é algo bonito. Ao menos no papel. Desde crianças, as pessoas são inseridas em um mundo de violência. Elas recebem instruções que vão guiá-las por toda a vida. "É preciso levantar a bandeira da paz"; "Violência só gera violência" é o que se aprende nas escolas. Mas se a criança chega da escola com marcas de agressão feitas por um coleguinha, a coisa pode mudar de figura. Se for um menino, é possível que o pai deixe de lado os princípios cristãos e explique para o pequeno que na Antiguidade de Cristo funcionava de outro jeito.
De acordo com a psicanalista Yeda Fajardo, o revide em igual proporção - embora politicamente incorreto - é sim uma ação legitimada socialmente. A vingança, por exemplo, sempre foi vendida pela indústria cultural e comprada com prazer pela sociedade. Os exemplos estão em filmes, novelas, livros. "Quando uma pessoa sofre algum tipo de violência, é tolerável que ela encontre algum método de reparação. Isso é algo socialmente permitido", explica.
Para a psicanálise, a agressividade (não apenas a física) é um elemento constitutivo do homem. O sentimento se manifesta desde os primeiros anos da criança, passando por mutações ao longo da vida. "Kant entende a violência como o ato; o outro é como o meio e o instrumento. No caso do bullying, a criança agressora enxerga a vítima como um instrumento para dar vazão à agressividade. O natural é que haja o revide, pois a vítima também passa a enxergar o agressor como um objeto", explica.
Yeda chama a atenção para a possibilidade de o revide acontecer pela necessidade de "exorcizar" uma culpa cujo peso o indivíduo agredido não suporta. "A forma de se ver livre dessa culpa é praticando uma violência semelhante contra um terceiro. Nesse caso, o ‘troco' não é dado por conta da agressão sofrida em si, mas é a forma que o agressor encontra para se ver livre da culpa".
Mas o revide, que seria natural, nem sempre acontece. E isso pode ser um problema. Ser politicamente correto, aceitando passivamente uma rotina de violências físicas e psicológicas, não é saudável. Conviver sofrendo abusos pode dar origem a um processo de autodestruição. "Existem pessoas que são violentadas, e muitas vezes não sabem a razão. Pode ser que nem exista... Esses indivíduos se perguntam: ‘por que estou sofrendo essa violência?'", ilustra.
O sentimento de culpa injustificado passa a ser um tormento em longo prazo. E essa carga pode desencadear diversos transtornos, como explica a psicóloga clínica Maria Angélica Falci. "Diante disso, a pessoa pode desenvolver comportamentos antissociais, ansiedade generalizada, depressão moderada ou grave e diversos sintomas psicossomáticos", enumera.
Responder à agressão não quer dizer necessariamente rebater à altura. Não é recomendado, por exemplo, que uma violência física seja paga na "mesma moeda". Diante de um abuso, é necessário que o indivíduo agredido se imponha para evitar a recorrência do ato. "É preciso que essa pessoa se posicione. Por meio da fala é mais que o suficiente. Basta dizer algo, como ‘isso eu não posso tolerar. Este é o meu limite'. Essa reação é um tipo de revide; é uma resposta ao ato violento", explica Maria 
Angélica.
O PERDÃO
Embora revidar com parcimônia e bom senso seja preciso, em determinados momentos o recomendável é optar pelo perdão. No trato com os filhos, por exemplo, é preciso saber equilibrar a punição por erros e peraltices com o perdão. A criança passa a entender a casa não como um lugar de repressão, mas como um ambiente marcado pela tolerância.
De acordo com a psicóloga Maria Angélica, é necessário que as crianças tenham voz dentro de casa. "É interessante que elas desenvolvam a capacidade de reagir diante de diversas situações. Eventualmente estarão erradas, mas posicionar-se com firmeza nem sempre significa questionar a autoridade. Os responsáveis têm que ser sensíveis e saber entender isso. Não é saudável para criança nenhuma viver neutralizada pelo medo da severidade de pais que não sabem perdoar, mas apenas punir os erros com rigor", entende.